Insegurança alimentar

Por Lucilene Athaide

A alimentação como pauta na universidade

No Brasil, 3,4 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar, isto é, sofrem de carência nutricional. Isso equivalendo a 1,7% da população nacional, segundo dados do relatório de 2014 sobre o estado da segurança alimentar e nutricional no Brasil, organizado pela Organizações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). A questão da alimentação no Brasil ultrapassou a barreira do poder público, hoje diversos setores da sociedade civil se engajam na tentativa de melhorar de alguma forma a maneira como as classes menos favorecidas se alimentam.

Este é o caso da pesquisa da Doutora em Epidemiologia Fernanda Bairros. Desde 2010 ela coordena um estudo sobre a insegurança alimentar nas comunidades quilombolas do Rio Grande do Sul. Juntamente com a professora Marilda Neutzling, Bairros inscreveu um projeto para avaliar o nível e a proporção do problema, isto é, a carência de nutrientes na alimentação de moradores de quilombos. O trabalho foi o primeiro estudo de base populacional levantando esta questão. Pioneirismo que se destacou no mundo acadêmico.

Fernanda Bairros e Marilda Neutzling realizaram um estudo sobre a insegurança alimentar em moradores de quilombos. Crédito: Lucilene Athaide
Fernanda Bairros e Marilda Neutzling realizaram um estudo sobre a insegurança alimentar em moradores de quilombos. Crédito: Lucilene Athaide

Acostumada em trabalhar com questões relacionadas a  iniquidades raciais, Fernanda – que é sobrinha da Ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros – ainda assim se espantou com alguns dados coletados em sua pesquisa sobre insegurança alimentar. Descobriu-se através do estudo que o Estado do Rio Grande do Sul é o que possui menor índice de insegurança alimentar, um dado considerado excelente se for analisado sozinho, contudo, em paralelo a isso, notou-se que quando recorta-se o tema da alimentação com a raça, o Estado passa para o segundo no ranking da desigualdade.

No Rio Grande do Sul, 40% das pessoas residentes em quilombos sofrem de insegurança alimentar, sendo que este índice na população branca em todo o Estado é de apenas 4%. Um dado mais do que alarmante. Na população negra do Estado, o percentual de pessoas que sofrem de carência de nutrientes na alimentação é de 9%, ou seja, mais do que o dobro da população branca. Isso faz com que a população quilombola seja prioritária em mais programas sociais, apesar de que isso não resolve eficientemente o problema, confirmou Fernanda.

Desde 2004 o Instituto Brasileiro de Pesquisas e Estatísticas – IBGE – mede a insegurança alimentar no Brasil, baseado programa Brasil Sem Miséria. Mesmo com a melhoria dos dados em alguns Estados, Fernanda Bairros alerta: a situação alimentar nos quilombos é caótica, não bastam políticas públicas, estes remanescentes precisam ter acesso a estes serviços.

 Dando visibilidade ao invisível

Para a professora Marilda Neutzling , parceira de Fernanda na pesquisa sobre a insegurança alimentar,  o trabalho é um estudo que contribuiu para melhorar uma realidade muito específica e ainda desconhecida: a dos remanescentes quilombolas. A professora alerta que a universidade precisa cumprir o papel de dar visibilidade a questões sociais.

“A pesquisa faz parte de um trabalho de resgate histórico, há uma dívida com este povo e isso se reflete inclusive na alimentação”, salienta Marilda. Ao todo existem cerca de 130 comunidades quilombolas em território gaúcho. Todas elas tem algum problema quando o assunto é alimentação.

Veja no gráfico mais dados divulgados pela FAO sobre segurança alimentar:

Infographic  SEGURANÇA ALIMENTAR   Infogram

*Dados:  Organizações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO)
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